quarta-feira, 4 de maio de 2011

CRISE

Numa das minhas acções, uma pessoa perguntou-me se na realidade eu achava se ele, perante o trabalho que já tinha conhecimento dele, se estava a fazer tudo que estava ao seu alcance. Obviamente respondi-lhe que sim se era isso que ele achava de si mesmo.
Expliquei-lhe que a mente humana alcança apenas até onde tem conhecimento, mas se ele conseguisse sair de si mesmo (metaforicamente) e desbloqueasse todas as suas limitações chegaria à conclusão que na realidade, ainda fez muito pouco de todo o potencial existente dentro dele.
Isto fez-me lembrar uma história que ouvi há muito tempo atrás, de um indivíduo que o seu trabalho, diariamente, era fazer sandes e ir para junto de uma zona industrial vende-las aos trabalhadores que lá trabalhavam.
Dia para dia, esmerava-se em fazer as melhores sandes e com a margem de lucro, comprava carne com melhor qualidade ainda, para conseguir agradar cada vez mais e a mais pessoas.
Definitivamente as suas sandes criavam grande sucesso, pois todos os dias vendia-as todas, tal como a sua atitude para com quem as comprava.
Certo dia um cliente assíduo, questionou-o porque é que ele não aumentava o seu número de sandes e até mesmo aumentar a variedade de produtos que venderia juntamente com as sandes?
Nesse mesmo dia quando ia ao talho para comprar mais carne para o dia seguinte, aquele comentário inquietava-o.
A caminho de casa passou por um stand de automóveis que tinha uma roulotte à venda e perguntou o preço.
Agora ele tinha um objectivo maior e fez contas quantas sandes tinha que vender para comprar a roulotte e comprar algumas bebidas para comercializar com as sandes.
Rapidamente ele tinha a sua roulotte a vender as suas sandes e bebidas como também tinha alargado a zona de actuação com mais duas roulottes noutros locais estratégicos naquela mesma zona industrial.
Os negócios corriam de “vento em popa” e já pensava expandir para outras zonas industriais, tendo a necessidade de contratar ainda mais pessoas. O seu negocio de banca de sandes tornavas se numa empresa com sucursais.
Até que um, o seu filho estudioso e conhecedor de como se encontrava o mundo e o seu país, veio visitar o pai e ficou aterrado quando soube no que ele se tinha metido.
De imediato questionou o seu pai se ele não via a televisão, se não lia os jornais, se não ouvia as notícias da rádio!
O seu pai simplesmente respondeu: “Não. Não tenho tido tempo.” E muito entusiasmado continuou: “Sabes, tenho tentado fechar melhores negócios com o talho e com diferentes empresas de bebidas. O importante é conseguir o melhor preço e como pago tudo a pronto el…”
O filho nem deixa-o terminar a frase e interroga-o arrogantemente: “Tu não sabes da CRISE? Não sabe que o país deve dinheiro a quase meio mundo e que vai criar medidas de austeridade, que vai deixar muita mais gente desesperada? Tem ideia qual o número de desempregados que existe e a dificuldade cada vez maior de se ter um negócio aberto? Eu não acredito”
No dia seguinte o seu filho voltou para a cidade onde estava a estudar. Local onde tinha acabado de ser despedido e agora iria ter que ir há busca de um novo emprego.
Seu pai que estava bastante orgulhoso de si mesmo e pelos seus feitos no mundo das sandes, deitou-se a pensar no que seu filho lhe tinha dito e ligou a televisão, coisa que quase não fazia com tanta frequência, e viu o noticiário.
No dia seguinte cortou na quantidade de carne que colocava em cada sandes. Começou a comprar menos carne e como tal os descontos que obtinha, deixaram de existir. Aumentou o valor das bebidas, pois o seu lucro era muito escasso devido o seu grande focos ser nas sandes. Começou a ter um comportamento diferente para com os seus colaboradores da sua e das outras roulottes como para com os seus clientes. A sua preocupação era superior aos sorrisos, que oferecia antigamente.
E os seus clientes apercebiam-se destas mudanças constantes. Obviamente quem acha que não é bem-vindo muda de estabelecimento. Assim aconteceu.
As palavras de seu filho persistiam na sua cabeça. Seriam com certeza de um bom aconselhamento, pois ele é um estudioso que anda no ensino superior, cheio de conhecimento e principalmente é um exemplo, pois mudou de cidade e lá estuda e trabalha numa empresa que nunca o largará.
As vendas dia para dia baixavam e viu-se obrigado a fechar as outras roulottes e tratar de vende-las, ficando apenas com a sua. Mas já nem essa era rentável. Então vendeu-a também e voltou a colocar uma simples banca, como tinha começado.
O pai humildemente via que a conversa que seu filho tinha tido com ele, realmente solidificava-se. As pessoas são cada vez mais mal-humoradas e deixaram de comprar tantas sandes como há uns tempos atrás. A falta de motivação era o seu dia agora.
Terminou com uma simples frase: “ESTAMOS EM CRISE.”
Lição: Cada um vê e sente-se como se quer ver e sentir (e muito mais).

terça-feira, 3 de maio de 2011

Carta aos Pais

Caros Pais e Encarregados de Educação

A grande tentação de muitos pais é remeter para a instituição escolar a responsabilidade da educação dos seus filhos. Nada mais ilusório. A escola não dá propriamente Educação. Dá Instrução e já não é nada mau. Nem se pode exigir aos professores que eduquem os nossos filhos em nosso lugar. Não é justo nem exequível.

A escola pode e deve instruir. Dar informação, esclarecer dúvidas sobre a matéria. Mas é à família que compete a educação dos valores, trabalhando em parceria com a instituição escolar.

Esta demissão parental esconde muitas vezes uma tomada de consciência da sua própria impotência e inépcia perante essa tarefa tão difícil e complicada que é preparar um filho para a vida, nos dias que correm. A verdade é que muitas vezes faltam aos pais competências que lhes permitam desenvolver relações adequadas e conseguidas no âmbito da estrutura familiar, já que ser pai ou mãe não se ensina em nenhuma escola, e essa aprendizagem é feita inevitavelmente sem rede.

Mas a demissão dos pais vai ainda mais longe, já que estes se alheiam, regra geral, da vida escolar, do acompanhamento em casa, de procurar soluções e em especial das reuniões de pais, que os professores desesperadamente tentam implementar, tantas e tantas vezes sem qualquer resposta, passando assim a ideia (talvez injusta) de que pouco se importam com o percurso dos filhos.

A vida moderna é muito stressante, ocupada e, por consequência, a disponibilidade não é muita, mas os nossos filhos são de certeza mais importantes do que mais uma ida ao cabeleireiro ou mais um bocado passado com a televisão ou com os amigos.

Desculpem a sinceridade!

Como alguém disse, temos sempre tempo para aquilo que
colocamos em primeiro lugar.

domingo, 1 de maio de 2011

A Falácia da Comparação

"Os homens não se conhecem uns aos outros com facilidade, ainda que ponham nisso o melhor da sua vontade e das suas intenções. Porque há que contar sempre com a má vontade que tudo distorce.
Conhecer-nos-íamos melhor uns aos outros se não estivéssemos sempre a querer comparar-nos uns com os outros.
Decorre daí que as pessoas fora do vulgar ficam em pior situação, porque como as outras nãos chegam a poder comparar-se com elas, tornam-se alvo de demasiada atenção.”


Johann Wolfgang Von Goethe, in “Máximas e Reflexões”